Energia para o Norte do Brasil

Artigo- Pedro S. Cecchi é especialista em planejamento e novos negócios da HRT Participações

A perspectiva de aumento da demanda de energia na Região Norte, especialmente no Amazonas, é bastante promissora para o futuro. Com taxa de crescimento estimada em 6% ao ano durante os próximos 10 anos, a Eletrobras Amazonas Energia está diante de um grande desafio para atender ao consumo do estado. Considerando a realização da Copa do Mundo de 2014 e a consequente demanda por obras de infraestrutura – como reforma de aeroporto e do transporte fluvial – e até mesmo obras civis de construções residenciais e outros empreendimentos, torna-se evidente a necessidade de um planejamento energético para a região. Atualmente o parque energético da companhia conta com cinco termoelétricas, a hidrelétrica de Balbina e a usina flutuante Electron, sem considerar os produtores independentes. A rede de distribuição no Amazonas é de aproximadamente 21 mil quilômetros para atender cerca de 760 mil consumidores. Até o final de 2013, possivelmente, Manaus estará ligada ao Sistema Interligado Nacional, o que deverá proporcionar maior segurança no fornecimento e desenvolvimento para a capital.
Outro fator positivo é que o Amazonas detém grande potencial energético em comparação ao resto do Brasil. Do total da produção nacional de gás natural onshore, de aproximadamente 17 milhões de m³/d, 65% são produzidos no próprio estado. Essa produção é proveniente em sua maioria da Bacia do Solimões, que conta com gasoduto de aproximadamente 630 km até Manaus para escoamento do gás natural, com capacidade de transporte de expansão de até 10 milhões de m³/d.
O potencial gaseífero torna a região promissora para o desenvolvimento da indústria petroquímica, fertilizantes, cerâmica, vidros e provedora de gás natural para outros estados da Região Norte. Dois dos cinco maiores campos de gás natural do Brasil estão nessa Bacia. Adicionalmente, recentemente foi anunciada a descoberta do que deverá ser o maior poço produtor de gás natural onshore do país, confirmando o enorme potencial da região.
As tecnologias de transporte do gás natural na forma líquida ou comprimida têm avançado significativamente. Os investimentos necessários estão cada vez menores e as áreas remotas, tanto para o fornecimento do gás como para o escoamento da produção, estão sendo comercializadas. O gás natural vem se transformando em commodity, e a dificuldade para monetização não estará mais focada nas alternativas de escoamento e sim nos altos custos de produção, como já ocorre em áreas offshore ultraprofundas. O desenvolvimento do estado do Amazonas e de seus vizinhos deve contar com o gás
natural da própria Amazônia. A alternativa de levar o gás boliviano até a Região Norte não parece social e economicamente mais eficiente do que a alternativa de aproveitar o gás natural local.
O gás natural existe, as alternativas são economicamente viáveis e a indústria está com apetite para o desenvolvimento. O tempo é curto e o imediato planejamento integrado de longo prazo entre as empresas produtoras, indústrias, agências de fomento, estados e municípios vai acelerar esse desenvolvimento.

Fonte: Brasil Econômico

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